quarta-feira, 30 de março de 2016

Sinopses


Sinopses: 

A Lenda de Fausto:


“Tudo começou porque os anjos caíram, e porque Ele já não mais os amava. E porque Eles queriam vingança, e por isso, aquele santo haveria de cair também.
Porque o Homem é vulnerável. Porque ele envelhece e enfraquece. Porque ele teme a morte e porque ele deseja.
Tudo.
Tudo ele quer, o ouro, o conhecimento e o prazer. Sim, o sublime prazer que acalenta a alma e faz arder a pele... E que faz cair, cair tão vertiginosamente...
Mas porque também ele ama. Ama profundamente e ama de verdade.
E talvez nisso, ele e aquele demônio se parecessem mais do que podiam imaginar.
E talvez isso valesse o preço de uma alma.”
Valor: R$ 35,00

Botos, Sátiros e Dragões:



"Botos, sátiros e dragões; Fadas, deuses, gnomos, monstros e aparições. O que eles tem em comum? Tudo. Todos são seres que vivem em nossas mentes, corações, crenças. São nossas religiões, lendas e histórias que fazem as crianças dormirem. Eles podem nos inspirar ou nos assustar, eles podem ser nossos guias ou nossos grilhões. Este livro é um breve apanhado literário de algumas lendas, crenças e mitologias do mundo ocidental – África, América e Europa. São contos, poemas e ilustrações que buscam apresentar ao leitor uma nova visão de mitologias consagradas, assim como lendas não tão famosas assim. Acima de tudo, esse é um convite para um mundo de fantasias, mistérios e maravilhas."
Valor: R$ 26,00

O frete continua grátis, e comprando os dois juntos faço desconto: Sai por R$ 53,00.
Se quiser comprar, só mandar um e-mail para samila.lages@gmail.com
As formas de pagamento também continuam: depósito/transferência no banco Bradesco Ag:1300-5, CC:0005434-8 no valor de do livro, ou então solicitar o boleto do pagseguro.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Livros para venda



Bom dia!

Como é de praxe, desculpo-me por meu sumiço aqui no blog. Definitivamente, a maneira mais fácil de me achar é Facebook, ou ainda o meu e-mail 

Bem, venho aqui reiterar que A Lenda de Fausto continua a venda, nas mesma condições de sempre (R$35,00 + frete grátis + dedicatória, se assim desejado), podendo o pagamento ser por transferência/depósito bancário ou boleto.

A novidade é que meu segundo livro está a venda também, Botos, Sátiros e Dragões. Para quem não sabe, esse segundo livro é um apanhado de contos e poesias e ilustrações sobre mitologias diversas. NÃO é yaoi (sorry, mas pense, sua mãe pode lê-lo sem sustos, hahaha). Eu vou fazer outro post sobre ele, para você saber do que se trata. Ele custa R$26,00, com frete grátis também, no mesmo esquema de A Lenda de Fausto.

O envio se dá pelos correios, registro módico, que demora em média 5 dias úteis.

Entãoooo... quem quiser, é só me mandar um e-mail  (samila.lages@ gmail.com) e escolher a forma de pagamento:

Eis os procedimentos para depósito em conta:

Fazer o depósito/transferência no banco Bradesco Ag:1300-5, CC:0005434-8 no valor de do livro.
Da mesma maneira, quem quiser pagar com boleto, mande um e-mail informando o mesmo, que eu lhe mando a cobrança por e-mail, do PagSeguro =D

Só isso, no dia seguinte à confirmação da transação eu já posto o livro.

É isso, qualquer dúvida, só mandar e-mail! Beijos, e fica o apelo:

Apoie a literatura nacional <3 p="">

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Amados! desculpem o sumiço, mas eu não morri, e prova disso é o convite que venho vos fazer: o lançamento do meu segundo livro, Botos Sátiros e Dragões, uma coletânea de contos e poemas e ilustrações sobre diversas lendas e crenças do mundo ocidental.
Como sei que a maioria de vocês não poderá vir (caravana para o Amapá, cadê?), o livro será vendido por mim, assim como ainda vendo a Lenda de Fausto. Ele custará 26,00 por depósito ou transferência bancárias, ou 27,50 por boleto <3 nbsp="" p="">A Lenda de Fausto continua disponível, e custa R$35,00, ou 36,80 no boleto.
Lembrando, se quiser o boleto, basta me mandar um e-mail para samila.lages@gmail.com
A minha conta é Bradesco, agência 1300, conta-corrente 0005434-8
É isso, amores! Obrigada pelo apoio de todos!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Fanfic de Batman: O Começo

Recomendo ler antes a fanfic O Fim



O Começo 

O cenário era diferente, mas conhecido: o mesmo do fim.
Localização incógnita, desordem, cheiro de pólvora e querosene. Explosivo e perigoso, exatamente como ele...
Tentou se levantar, mas como se não bastasse a certeza de alguns ossos quebrados, ainda estava amarrado e amordaçado. Deu um gemido baixo de dor e frustração.
E também de ansiedade.
Por que ele não estava lá, ao seu lado? O que ele estaria aprontando?
Tentou mais uma vez se mover, apenas dor. Olhou ao seu redor: era o covil dele, já estivera ali uma ou duas vezes antes. Como adoraria saber a localização daquele, apenas para mandar pelos ares aquele antro decorado com tamanho mal gosto. Virou-se para o outro lado e então viu Coringa sentado, observando-o com seu grande sorriso sádico enquanto passava batom.
– O que foi, já está com saudades? – ele perguntou em meio à sua risada obscena, indo na direção do herói, abaixando-se para ficar mais perto dele. –Preparaste o rabinho como eu te disse da ultima vez, docinho?
Ele ria, parecia tão insanamente feliz.
O morcego apenas grunhiu. A boca tapada por fita adesiva não lhe permitiria dar a resposta que ele merecia, da mesma maneira os braços atados nas costas não deixaram que aquele sorriso maldito fosse quebrado por um soco.
– O que foi? Por que tão sério? – ele perguntou, passando o batom por cima da fita que cobria a boca do herói, desenhando um sorriso. – Papai veio brincar com você. – ele disse após terminar seu desenho, tirando do bolso do seu paletó nada menos do que um ben-wa. – Eu trouxe até um brinquedo para você! Bolinha! Aposto que você vai se divertir muito. Pelo menos eu tenho certeza que eu vou. – Ele deu uma piscada mais do que significativa e começou a tirar as roupas do morcego, bem lentamente, até despi-lo por completo.
Mas a máscara, novamente, não haveria de ser removida.
A máscara era uma garantia necessária à continuidade daquele joguinho louco que ambos jogavam. A máscara seria para sempre a desculpa, o motivo que impulsionava a caçada, que os levava sempre aos mesmos finais e começos.
Ah, sim, quantas vezes Coringa não tivera aquela identidade ao alcance de suas mãos? A primeira vez fora a cerca de três anos, um começo exatamente como este que reviviam agora. As mãos do Morcego atadas e um dos braços deslocados. Seus sentidos ainda um tanto entorpecidos pela ação do clorofórmio e os dedos do louco em sua face, ameaçando revelar sua identidade. Provavelmente havia sido naquele momento que o gênio do crime bolou seu mais complexo plano e, em vez de tirar-lhe a máscara, o maldito tirou-lhe as roupas. O louco pervertido estourou-lhe não apenas o corpo, mas também o espírito, tomando-o com força e falando rente a seu ouvido as mais indizíveis obscenidades.
Disse também que não poderia viver sem ele.
Disse que não seria mais nada sem ele.
Disse que o amava.
Batman certamente não compreendia aquele tipo de amor. Amor insano, louco, sujo, odioso e doloroso. Mas de alguma maneira, compreendia Coringa. Compreendia a relação simbiótica que os dois detinham, algo que ia além do conceito de herói versus vilão.
Algo especial, único.
Uma necessidade.
Foi daquela deliciosa humilhação que se originou a mais intensa caçada – esta alimentada pelo desejo de vingança, e pelo desejo per ser. Caçou-o sem descanso, até tê-lo ao alcance de suas mãos e de seu corpo.
Foi assim que começou o jogo, com suas regras implícitas e prêmios muito bem definidos.
– Eu gosto muito mais quando eu organizo os nossos encontros, sabia? – ele comentou, tirando o Cavaleiro das Trevas de seus devaneios. – Dá para saborear melhor... Sem pressa, sem medo de alguém aparecer. Já pensou como seria se alguém soubesse que eu tenho o costume de comer o Santo Batman? Gotham City ficaria desolada e os pais não deixariam mais os filho comprarem seus bonecos. – ele riu da própria piada sem graça. – Aqui a gente tem mais privacidade, dá para fazer mais coisas. Coisas bem interessantes, você não acha? – perguntou, finalmente arrancando sem delicadeza a fita que impedia o outro de falar.
– Você é um filho da puta pervertido. – o Cavaleiro das Trevas rosnou por entre os dentes, repleto de ódio.
Repleto de vontade.
Vontade retribuída pelo palhaço que o beijou em seguida.
Seus beijos e seus lábios... Repugnantes, mas ainda assim, desejáveis. A forma como ele o beijava era única. Devoradora e perversa, do jeito que nunca havia experimentado com mais ninguém. As mãos deles explorando seu corpo sem pudor e sem cuidado, agarrando com vontade suas coxas e a lateral do seu corpo – bem onde o Coringa certamente sabia haver uma costela quebrada.
Seu murmúrio de dor por entre os beijos parecia servir apenas para atiçar ainda mais o palhaço, aquele sadomasoquista maldito que lhe ensinara muito bem aquela forma de perversão.
– Nossa, você já está duro assim? – ele comentou após interromper o beijo, rindo, meio que debochando, para então sussurrar ante o ouvido dele. – Calma, eu também estou, mas não precisamos ter pressa, não é? – murmurou enquanto pegava o ben-wa. –Vamos brincar antes, até você não aguentar mais. Eu quero ver você gozando sozinho, só de ansiedade, como o pervertido que você é, Santo Batman. – ele ria enquanto inseria as bolinhas, adorando ver o outro morder seus lábios para não deixar escapar qualquer gemido.
Adorava isso nele, aquele orgulho todo...
Só porque orgulho era pecado.
Ele adorava pecados.
Adorava o pecador.
Adorava a oportunidade de pecar junto a seu santo favorito, brincar com ele das maneiras mais erradas possíveis, profanar suas rezas e sermões com gemidos. Como era bom ver sua moral perfeita desfazendo-se em gozo. Tomá-lo para si uma, duas, quantas vezes quisesse.
Brincar com ele até quase quebra-lo e então deixa-lo de lado, apenas para poder vê-lo dormir exaurido pela dor e pelo prazer.
Olhá-lo por horas e horas, antes de devolvê-lo às ruas.
O Coringa tinha daquelas coisas, daquelas taras. Adorava observar o Cavaleiro. Ficar olhando apenas, tocando-o só de vez em quando. Para ele o Batman era algo melhor de se assistir do que se ter; um daqueles bichos que seria um crime colocar em uma gaiola. Apenas por isso que ele o soltava sempre depois de brincar o bastante, apenas para que ele voltasse a voar.
Para que um dia ele voltasse para si.
E ele sempre voltava.
Pois se havia um fim, haveria também um começo.



Muito obrigada a minha querida Annah Hel que betou para mim! Beijões e gratidão eterna por ser uma fofa!

terça-feira, 26 de março de 2013

Review de A Lenda de Fusto - Tadzo do Mundeiro


O pecado de sentir prazer entre o céu e o inferno.
Lendas e contos sobre anjos e demônios, céu e o inferno, Deus e o Diabo sempre chamam a minha atenção justamente por parecer mais realista e interessante que as leituras bíblicas. Filmes e séries americanas exploram esse tipo de assunto com muita recorrência e me atiçam bastante não somente por ficção ser um dos meus gêneros favoritos, mas, sobretudo por me fazer questionar até onde vão os ensinamentos ditos pela igreja católica.
O livro de Samia Lages, A Lenda de Fausto, no entanto, me mostrou outro lado desse tipo de narrativa que jamais poderia imaginar e muito menos ler. A lenda é de origem alemã, é baseada no médico Johanne George Faust e conta a história de Fausto, o médico que vendeu a alma ao demônio para que lhe trouxesse novamente a juventude e para isso ele deveria beber sangue demoníaco todos os dias e, mesmo se arrependendo do pacto que fez, não escapou da ida ao inferno. Mas Samila Lages ultrapassou os limites da fantasia e criatividade na sua versão da lenda.
Em A Lenda de Fausto, o rei do inferno, Lúcifer, ordenou que Belial, o demônio do orgulho e da soberba, trouxesse a ele a alma de um humano, Fausto. A princípio, o médico não tinha ideia da tragédia que seria seu futuro a partir dali, mas por estar diante da morte se viu obrigado a aceitar a proposta do demônio: beber seu sangue e se tornaria vinte anos mais jovem. O arrependimento veio na hora, porém já era tarde: o belo e saudável Belial precisaria do sangue demoníaco para viver, o que manteria um eterno laço entre um ser humano e um ser do inferno.
Mas a história entre o humano e o demônio não se prende em lutas e mortes como se veria na série americanaSupernatural, por exemplo, pois além de Belial desejar a alma de Fausto, ele também o desejava, se é que você me entende. Ambos passam a ter uma relação estritamente de pele, carnal, sexual, como se não houvesse nada mais importante que o poder de superioridade na hora do sexo. Até chegar ao ponto crucial da narrativa, em que Belial se apaixona por Fausto. Ou seja, demônio de apaixonar por humano. Há algo, no mínimo, fora dos “padrões”, não?

Continue lendo em http://mundeiro.com/index.php/livros-hqs/item/81-nos-lemos-a-lenda-de-fausto

Adorei essa Review! é bem completa ^^
Obrigada senhor Tadzo!

domingo, 10 de março de 2013

Malvisto


Malvisto

Do encontro da pele nua tão quente
Aos trêmulos dedos de seu amante
O coração bate mais forte, ele sente
O gozo escorrer doce e brilhante

Naquela hora da noite é permitido
O júbilo manifestar-se em grito
O prazer há tanto tempo abstido
Liberto em pecaminoso atrito

Haverá culpa em sentir desejo
Pelo corpo há tanto tempo quisto?
Ou seria mera forma de cortejo

O grave desafio aos céus visto
Que seu encontro a cada ensejo
Por serem machos ambos é malvisto


Pois é gente, eu não morri, apenas estou com uma produção bem parada. Espero remediar isso em breve.
Aos interessado, ainda tenho exemplares de a Lenda de Fausto, e é possível que em breve eu lande um livro com contos yuri e principalmente yaoi ^^ Veremos

sábado, 22 de setembro de 2012

Não.... E Relatos da Queda X

Não, eu não morri. Não, não voltei a escrever, ao menos, não do jeito de antes, mas também não, não abandonei minha paixão.
Tanto não abandonei que estou com um capítulo inédito de Relatos da queda, aqui, para vocês que ainda não me abandonaram....

Ah, um recado àqueles que querem A Lenda de Fausto, a inflação ainda  não atingiu a o livro! XD O Frete ainda tá GRATIS! O Valor de R$ 37,80 sai para quem compra no boleto bancário, se você comprar fazendo depósito bancário, sai a R$ 35,00.

Minha conta é a mesma: Bradesco, Agência: 1300-5, C/c: 0005434-8

Qualquer dúvida meu e-mail é:  samila.lages[ARROBA]gmail.com

Mas sim, deixa eu parar de enrolação, e postar o capítulo:
(detalhe que eu não tinha postado todos os caps anteriores aqui no blog, então, se você quiser lê-los, vá aqui no Nyah, que estão todos >.<)
http://fanfiction.com.br/historia/18255/Belial_-_Relatos_Da_Queda




Capítulo X – Sombras



Devia estar satisfeito com aquela situação, afinal, Lúcifer poderia ser para mim o deus que todo Anjo precisa ter para adorar... Pergunto-me apenas qual seria então o deus de Lúcifer naquele momento.
-Mais uma estrela caiu sem fazer som algum... -Ele comentou enquanto ambos olhávamos para o céu noturno, observando o fato de outra estrela ter se apagado. Obra de Anakiel, eu podia apostar.
-Haverá um dia em que o firmamento não será nada além de uma escuridão sem fim? -Indaguei-lhe enquanto me abraçava a seu corpo e repousava minha cabeça sobre seu peito.
-Já não estamos visualizando esse dia, Belial?
-Sim, mas ele me parece tão distante, meu senhor...
-De fato, está distante... Mas se aproximará à medida em que lutemos... -Ele disse após longos momentos de silêncio.
-Achas isso prudente, Lúcifer?
-Viemos tão longe, Belial... Haveríamos de parar agora? Olha! Olha como está claro o céu com as estrelas ao nosso alcance! Não achas que devemos despi-las a fim de ver sua real beleza? Não achas que ele ficará mais encantador caso a escuridão o tome?
-Temos poder para tal, meu senhor?
-Tens dúvidas de minhas capacidades, Belial? -Ele perguntou ligeiramente sarcástico, simulando um tom ofendido.
-Não! De maneira alguma! Mas... E as espadas Arcanjos dos Guerreiros? Como enfrentar aquele poder?
-Com um poder superior, é evidente.
-Que seria...?
Ele se levantou e sorriu para mim, frio apenas como ele poderia ser. Perguntei-me qual poderia ser o trunfo do grande Arcanjo que trajava a mais simples vestes dentre todos eles... Como pretendia alguém aparentemente tão delicado enfrentar três guerreiros armados? A resposta veio então com um movimento de sua mão esquerda. Não sei dizer como, mas de lá, de sua nudez mesmo, Lúcifer sacou uma espada.
Oh sim! Da delicada e forte mão brotou a princípio uma lâmina de cristal esculpida com perfeição, formando o mais fino dos fios e a mais bela transparência. Esta mesma lâmina se estendeu por mais de um metro, até de se sua mão saísse o cabo também em diamante, sendo seu guarda-mão ornado por belas gemas negras primorosamente lapidadas, e seu pomo a mais intensa e bela turmalina negra, de tamanha perfeição em seu formato e cor que jamais poderá se encontrar na natureza terrestre.
-Diga, Belial, se pode haver mais adequada bainha à mais poderosa arma divina, senão a carne do mais poderoso Arcanjo? –Ele perguntou enquanto exibia, bem diante dos meus olhos a nefasta espada.
Mirei abismado para a assustadora beleza daquela arma, sentindo meu interior tremer em algum receio profundo; mas mais profunda era a admiração pelo que me era desconhecido. Estendi minha mão para tocar aquela arma, mas antes que meus dedos alcançassem o cristal, Lúcifer a afastou de mim e disse suavemente:
-Jamais a toques, Belial, mesmo que a evites o fio. Nem em seu punho, menos ainda em sua lâmina, pois qualquer um que a toque, excerto eu, sofrerá com um terrível corte.
Encolhi minha mão assustado, tendo certeza que aquilo que Lúcifer falava era verdade.
-Como se dá isso?
-Este foi um presente divino, dado a mim no ato de minha criação. –Ele contou enquanto guardava a espada mais uma vez dentro de si, e pôs-se a vestir-se. -Foi quando Deus disse que eu haveria de ser um guerreiro e que tendo esta espada, Celestial algum seria capaz de se opor a mim. Ele disse que eu era o mais poderoso dos Arcanjos, Belial... E por isso conferiu a mim a mais poderosa das armas.
No momento em que Lúcifer me disse aquilo, perguntei-me por que haveria Deus de armar seus Arcanjos contra os demais Celestiais. Qual seria a necessidade disso, a princípio? Senti em meu âmago que nosso Criador já havia antecipado nossa batalha em seus planos, e aquela certeza me preencheu de terror. Seriam nossas vontades, desejos e revoltas apenas desígnios de Sua vontade?
Aquela dúvida me aturdiu tanto que tive até receio de estendê-la a meu novo senhor. Não queria pensar naquilo, não queria perder as poucas certezas que havia construído acerca de mim mesmo em minha recém-adquirida independência. Tampouco queria que fosse levada ao coração de Lúcifer qualquer dúvida acerca de nossas intenções ou de sua própria majestade.
Calei-me acerca de minhas preocupações, contudo ainda indague-lhe:
-Mas... Ainda assim, meu senhor, somos tão poucos... Como agiremos sem que nos massacrem tão logo notem nossas intenções?
-Como sombras! -Ele falou repentinamente, sua magnífica voz detendo um tom contido de agitação, como se aquela simples palavras fosse fruto de alguma complexa epifania. -Sejamos como sombras, Belial! Sombras que rastejam pelo reino de Deus, maculando com desejos, dúvidas e convicções a todos que tocarmos! Rastejando seguiremos, até que nossos números superem os daqueles que se manterem fieis Àquele que os domina!
-Rastejar, Lúcifer? Perdão, mas rastejar não me soa digno! -Reclamei de imediato, já envolto no orgulho que para sempre me marcaria.
Ele sorriu para mim e passando a mão por meus cabelos começou a falar suavemente:
-Rastejar, meu querido... Locomover-se sem fazer barulho, bem rente ao chão, sem riscos de desabar e deixando os mais sutis rastros possíveis. Rastejar como as serpentes do pântano, que sorrateiras dão o bote, sem aviso ou piedade! Sejamos como elas, rainhas de maldade, repletas do veneno que apodrece as carnes, mas ilumina as almas e sentidos! Oh, sim, como sombras e serpentes, que discretas ocultam-se a cada alvorecer, mas poderosas saem a cada crepúsculo!
-Acho que teu encontro com as impuras criaturas dos contornos do Édem não te fez bem...
-Por que dizes isso? Não gostas de minhas palavras, atitudes ou intenções?
-Amo a todas essas, com mesma intensidade que amo a tua figura, a teu corpo e a teu espírito! Mas...
-Mas enxergas indignidade no ato de te associares com criaturas mortais?
-Isso é obvio, não?
-Sim, e, no entanto, te associaste com Lilith.
-Mas Lilith era diferente!
-Tratas o Ser Humano como um ser superior aos demais animais?
-O Ser Humano, não. Apenas a Mulher.
-E isso inclui Eva?
-Claro que não!
-Compreende a contradição na qual te colocas? O que torna Lilith e Eva diferentes, sendo ambas da mesma espécie?
-Lilith era...
-Inteligente, audaciosa, ambiciosa. -Ele respondeu, antes que eu pudesse pensar em adjetivos tão adequados quanto.
-Sim... Tudo que Eva não é. Isso as torna diferentes.
-Concordo, e da mesma maneira, dentre os animais e as bestas, existem aqueles que são diferentes. O pântano em que nos encontramos, e os desertos que se formam além dele... Funestos e repugnantes! Inóspitas moradas reservadas apenas a criaturas incapazes de compreender porque lhes foi dada tão ingrata vida, enquanto os seres do Édem se deliciam com frescas brisas, águas cristalinas e todas as facilidades que Deus provém. Essas pobres criaturas são tão fracas! Mortais, pois precisam de comida enquanto nós sequer conhecemos a fome, e precisam de ar para respirar, enquanto nós não necessitamos sequer do vento para empurrar nossas asas ao mais esplendoroso voo. Nós nos bastamos em nós mesmos, enquanto elas são fracas e precisam umas das outras, fazendo deste convívio uma desarmoniosa e cruel batalha. Elas, meu caro, não precisam do Deus que as abandonou, pois a providência Divina não as alcança nem as abençoa... São como nós, Belial, fadadas às sombras. Agora imagina como seria se nós as abençoássemos com nossa divindade e as iluminássemos com nossa sabedoria? A gratidão por se manterem vivas, Belial, é o que possuem de mais poderoso. O que acontecerá se tal gratidão for a nós direcionada? Seremos nós os Deuses delas, Belial, e não mais o Criador!
A beleza daquelas palavras me arrebatou, e naquele momento, soube que poderiam também arrebatar qualquer um que as ouvisse; besta ou celestial. A promessa de se equiparar a Deus, por mais absurda que fosse, seria de fato a mais tentadora a qualquer Anjo abandonado.
E se já não bastassem suas palavras para me convencer, veio então a infeliz mosca que havia visto Lúcifer reviver com sua vitae. Ela voou a nosso redor, reproduzindo o grotesco e leve barulho do bater de suas asas. Ao notá-la a nossa redor, ele sorriu para mim, e disse com candura:
-Deixa-me apresentar um de nossos generais então; este é Beelzebub, Senhor de Todas as Moscas, meus furtivos e silenciosos olhos que a tudo enxergam, e meus ouvidos que a tudo hão de ouvir.
Nesse momento, um riso macabro de fez ouvir, e Beelzebub, talvez compreendendo meu desconforto em sua presença, fez questão de aumentá-lo, chegando mais perto de mim e assumindo então uma forma ainda mais horrenda que a sua original.
Não posso descrever o quão enojado senti-me ao contemplar a disforme criatura, asquerosa em todos os sentidos.  Seus olhos eram totalmente vermelhos, sem distinção entre íris e conjuntiva, e seu corpo era apenas vagamente hominídeo, de contornos tortuosos; sua pele parecia um tanto rígida, escurecida, da qual brotava em seu queico e pescoço pelos grossos e pretos, semelhante ao exoesqueleto do inseto que era sua forma original. Sua coluna -se é que aquele ser detinha uma- era torta, formando uma proeminente corcunda em seu contorno, e seus membros eram magros, como se a fome o abatesse há anos.
Ele ofereceu sua mão ossuda a mim na forma de um comprimento, mas eu apenas a olhei, com receito de tocá-la. Ele apenas riu ante minha recusa, e erguendo ainda mais a mão, tentou tocar meu rosto, fazendo-me dar um passo para trás a fim de evitar aquele contato.
Era como se o ar ao redor de si se tornasse mais denso, tomado por invisível pestilência e inodoro fedor. Não é segredo a ninguém que dentre todos os demônios, Beelzebub é o único com o qual jamais tive qualquer nível de intimidade. Esse fato se dá pelo desgosto que sempre senti ao estar perto dele.
-Temes a mim, Celestial? –Me perguntou, sua voz era um tanto aguda, profundamente irritante.
-Não tenho temor algum em meu espírito, General. –Menti. Por dentro, sentia que o toque dele era capaz dos piores feitos, como se seus dedos sujos detivessem um veneno capas de corroer a pele de qualquer ser.
-Então por que foges de mim, Belial? Não enxergas que estamos do mesmo lado? –Ele seguia com sua voz risonha, e ao ouvir aquilo, olhei para Lúcifer, perguntando-me se apenas eu ouvia o sarcasmo escorrendo pela mesma.
-Qual teu interesse em nossa revolução, Beelzebub? –Perguntei.
Ele riu de forma horrenda, transformando-se então de volta em uma mosca, voando em minha direção e dizendo bem rente ao meu ouvido, suas palavras quase enlouquecedoras junto o terrível zumbido advindo do bater de suas asas:
-Devorar os cadáveres desta guerra, meu caro. Sentir o cheiro da morte que se aproxima, e dela me alimentar. Quero que o mundo apodreça junto a todas as queridas criações Divinas.
Ouvindo também aquelas palavras, Lúcifer deu um sorriso, enquanto Beelzebub soltava um riso macabro e voava para longe de mim, novamente assumindo aquela repugnante forma.
-Consideras justos meus intentos, Rei Lúcifer?
-Justíssimos, e muito afins aos nossos. Concordas, Belial?
Contrariado, concordei com um simples meneio de cabeça, fazendo com que a baixa criatura risse ainda mais de mim, para minha ira.
-Bem, tendo encerrado as apresentações, creio que seja hora de agirmos, não? –Interrompi seu riso, dando as costas ao demônio disforme.
-Sim, contudo, há algo que quero que faças para mim antes, Belial.
-O que seria, meu senhor? –Perguntei solícito, realmente disposto a fazer o que ele me pedisse ou ordenasse. Qualquer coisa que me tirasse logo da presença de Beelzebub.
-Venha comigo. -Tendo dito isso, levantou esplendoroso voo. Fiquei algum tempo ainda, apenas observando a enorme graça com a qual suas asas batiam, até voltar a seguir o incômodo advindo da putrefata aura de Beelzebub. Só então voei para segui-lo.
Voamos por algum tempo, até chegarmos à beira do continente criado por Deus, onde a terra se encontrava a uma imensidão azul que servia de espelho ao firmamento. A grande lua cheia refletida naquelas águas fez eu me perguntar se não seria aquele oceano uma extensão do céu. À beira da praia Lúcifer me esperava, seus frios olhos estendidos ao horizonte vislumbravam cada fraca onda a bater contra os recifes.
Diante daquele cenário, sua beleza pálida se fazia ainda mais estonteante.
-Quando procurei uma serpente como aliada, ela me disse que não poderia auxiliar-nos, pois já servia a alguém. Foi-me revelado por ela que dentro desta infinidade azulada existe uma besta que dorme, a maior dentre todas e a mais poderosa também. -Ele começou a falar tão logo pousei a seu lado. -Seu nome é Leviathan, e o animal me disse que ele reina absoluto sobre as víboras venenosas e sobre todas as criaturas do mar. Trata-se de um ser gigantesco, que com seu simples movimento poderia mover toda essa água que podemos ver. Essa besta precisa ser despertada, Belial, e conto contigo para esta tarefa.
-Uma besta? Como esperas que eu consiga lidar com uma besta? Não aprendi a falar com os animais, como tu fizeste!
-A serpente me afirmou que a Besta é sábia e fala nossa língua, e que assim como nós foi amaldiçoada por Deus. Tenho certeza de que com tuas palavras serás capaz de convencer Leviathan a se unir a nossa causa.
-Por que não pedes para Beelzebub cumprir tal missão?
-Beelzebub já está encarregado de falar com Ziz, a grande besta que reina sobre as aves nos ares terrestres, enquanto eu hei de falar com Behemoth, o grande touro que reina sobre o solo.
-Ainda que me peças, não sei se posso fazer isso, Lúcifer. Sabes que não me sinto confortável com a ideia de nos unirmos a criaturas inferiores, e... -Ia continuar meu protesto, mas ele me interrompeu com a voz calma e risonha:
-Aceitar-me-ás como teu Rei, Belial?
-Tu já o és, meu senhor...
Lúcifer sorriu então para mim, contente com minha submissão... Perverso o suficiente para me fazer temer, encantador demais para me permitir recuar.
-Então faça o que digo, meu príncipe. -Ele ordenou enfim, ruflando seu par de asas e seguindo seu caminho, deixando-me ainda aturdido ao olhar para aquele mundo azul diante de mim.
Oh, sim, eu estava sendo tolo, e sabia disso. Reconhecia minha fraqueza naquele momento, mas não permitia que a vergonha por tal me tomasse... Pois o amor há sempre de ser a verdadeira causa para todas as desventuras do mundo... No Céu ou na Terra, sobre os Homens ou sobre os Anjos... Todos nós caímos por amar!
Lilith caiu por tanto amar a justiça, a lógica, a liberdade... Eu caí talvez por amar a mim mesmo, à minha imagem, minha perfeição. Samael tornou-se Lúcifer por amar demais a Deus... E mesmo tendo ciência de tais fatos, eu ainda me permitia cair mais... Eu queria –do fundo de minh’alma- amar ainda mais Lúcifer... Eu precisava amá-lo, eu precisava que ele ocupasse aquele vazio doloroso que a ausência da Luz Divina deixara em meu peito.
Por isso eu precisava de Lúcifer ainda mais próximo ao meu coração.
Por isso eu precisava encontrar o Leviathan.